terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fidelidade...por Alessandra Abreu



Relacionamentos: para ser fiel ao outro é preciso ser fiel a si mesmo


Fidelidade
s.f. Exatidão em cumprir suas obrigações, em executar suas promessas: jurar fidelidade.
Afeição e lealdade constante: fidelidade de um amigo.
Obrigação recíproca dos esposos de não cometer adultério.
Exatidão, semelhança: fidelidade de uma narração.
Lealdade; probidade.
Sinônimos de fidelidade: constância, lealdade e veracidade.
Fonte: Dicionário Aurélio on line


O questionamento sobre a fidelidade é um tema muito comum para todos. Partindo das amizades, parcerias e sociedades em geral, até a desafiante fase do casamento, quando o conceito se torna mais complexo ainda, a fidelidade (ou melhor, a não fidelidade) pode ser devastadora.
No geral, as pessoas temem a traição, tendo em vista as marcas e dores que experiências como estas deixam na alma.  A infidelidade pesa em todos os tipos de relações e julgar o quanto uma situação é perdoável ou não é muito peculiar a cada indivíduo.
Tendo em vista a complexidade do tema, considero importante refletirmos sobre o significado da traição, o que é de fato ser infiel e o que podemos fazer para lidar com as marcas de uma traição.
Para começar, vamos analisar a definição do próprio dicionário: a palavra fidelidade está atrelada a um simbolismo de compromisso com a verdade.
Quando assumimos um compromisso com alguém, qual é a verdade na qual esta relação (amizade, namoro, sociedade, casamento) está apoiada? Qual é o objetivo dos parceiros envolvidos?
Em qualquer tipo de aliança, a parceria envolve uma troca. Sem troca não há relacionamento. Se a troca não faz bem a ambos os envolvidos, o relacionamento em algum momento enfrentará dificuldades e entrará em crise.  Entre dificuldades, crises e oportunidades, é possível que um dos lados da aliança (ou os dois) escolha(m) a traição como uma tentativa de escapar do sofrimento e gerar acomodação.
São muito variados os tipos de traição, mas hoje vamos nos ater às uniões de longa data.  Neste tipo de união, o que mais vemos costuma ser o lento e gradativo abandono da nutrição emocional e espiritual tão importantes para o vínculo das almas envolvidas. Partindo da pressuposição de que as pessoas optam por um compromisso na intenção verdadeira de conquistarem a felicidade lado a lado, o fato é que são poucos os casais que após um longo tempo juntos continuam conectados com o significado real do compromisso. Vão abandonando o cultivo do diálogo, do respeito, do afeto, do cuidado, do desejo de serem contribuintes do crescimento e desenvolvimento de seus parceiros ao longo da jornada. A maioria parece se tornar hipnotizada por um modo automático de vida, em que tudo se torna robotizado e perde o sentido. A verdade do relacionamento começa a minguar.
São inúmeras as brechas por onde a insatisfação pode passar e onde ela impera, se o casal não é honesto a ponto de encerrar o ciclo, a traição parece ser a única outra opção para permanecerem acomodados ao desgosto de viver uma vida que não mais satisfaz.
Por isso, quando uma traição acontece (não somente a sexual, ela pode acontecer em vários níveis), é muito importante revermos o que ficou para trás no compromisso firmado. Recuperar o ponto onde o abandono da verdade começou a acontecer. Compreender o que levou a esta fuga como recurso. E despertar o indivíduo, quem trai ou quem foi traído, para o que precisa ser transformado. Todo relacionamento passa por fases e metamorfoses, e quando as transformações não acontecem, o final do ciclo começa a ser sinalizado. Se não acontece o fim, criar um mundo ilusório e paralelo também não corresponderá à fonte da felicidade.
É importante lembrar que o movimento da infidelidade é duplo: a pessoa que trai o outro, está em primeiro lugar traindo a si mesma. Não consegue ela mesma ser fiel aos seus compromissos e às suas verdades. É adoecedor para qualquer indivíduo não ser verdadeiro consigo mesmo. Resolver a vida com mentiras é um grande sintoma de adoecimento emocional.
Onde a verdade deixa de existir, haverão boicotes, mentiras, manipulações e ocultações. Por isso, para lidar com uma traição é necessário que se faça um caminho para dentro, para o auto-conhecimento e para a educação dos sentimentos. É preciso que os indivíduos tenham um compromisso com a própria felicidade antes de se comprometerem em fazer alguém feliz. E que desejem viver em verdade para não se renderem ao conforto das máscaras sociais (e se traírem). Só a verdade traz real felicidade. Só a verdade satisfaz verdadeiramente, realiza, expande caminhos e traz plenitude para a alma.

Um abraço carinhoso e até a próxima!!

Alessandra Abreu
Psicóloga Junguiana / Psicopedagoga
Clínica Reabilita Terapias Naturais
            Contato: 11 99245 5220 / 11 4427 5759

Um comentário:

  1. Como sempre você super caprichou no texto Ale! Sou sua fã, e esse texto só aumenta minha admiração por tí, que é uma pessoa de quem admiro os princípios e valores, e uma profissional muito conceituada! Parabéns e muito sucesso! bjs

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